Heather Carter
URUGUAI


Steve, Heather, Luke Bethany and Philip Carter

Olá,

Eu sou a Heather. Sou uma missionária morando no Uruguai, na América do Sul. Nós somos do Reino Unido já vivemos no Uruguai há 8 anos. Meu marido é o vicário de uma paróquia local. Nós moramos aqui por 3 anos e então passamos seis meses no Reino Unido. Enquanto estamos lá, visitamos as várias igrejas que dão suporte ao nosso trabalho.

Há cerca de cinco anos, eu estava pensando em como seria o meu futuro. Meus três filhos já não precisavam mais de cuidados constantes e eu queria ser mais do que esposa, mãe e aquela que preparava o chá para as visitas da paróquia! Enquanto estávamos no Reino Unido, tivemos a chance de passar algum tempo em "Springharvest" (‘colheita da primavera’, uma celebração cristã). Foi então que eu vi pela primeira vez um intérprete de linguagem de sinais trabalhando. Foi fantástico! Ao observá-la, meu coração se incendiou de Deus de uma tal maneira que não acontecia havia muito tempo. Esse momento falou claramente ao meu coração e eu me senti totalmente na presença de Deus.

Quando voltamos ao Uruguai em 1997, eu fui atrás da igreja e o clube para deficientes auditivos no Uruguai, somente para descobrir que não havia nenhuma igreja para deficientes auditivos e que o clube estava atravessando uma profunda crise. Foi aí também que eu conheci a senhora que iria me ensinar a linguagem uruguaia de sinais. Os próximos dois anos eu passei aprendendo a linguagem de sinais e tentando pensar em maneiras de criar alguma forma de igreja. Um grupo bíblico? Alguma coisa! Ao mesmo tempo em eu me sentia muito despreparada para dar conta dessa tarefa sozinha, tinha a sensação de que alguém deveria incumbir-se da tarefa e a impressão de que esse alguém era eu! Apesar de ter me formado em teologia e, teoricamente, poder ser ordenada, eu precisaria primeiro convencer meu Bispo e tentar encontrar mais treinamentos que poderiam me ajudar.

O que aconteceu em seguida? – Depois da próxima licença, nós retornamos ao Uruguai sem uma idéia clara do que Deus tinha reservado para o meu trabalho.

Minha esperança era a de estabelecer contato com alguns jovens deficientes auditivos, de que eles se convertessem à fé e de que fossem então treinados como líderes de um futuro ministério aqui.

Com a possibilidade de ser, mais cedo ou mais tarde, ordenada Capelã dos Deficientes Auditivos na Igreja Anglicana do Uruguai, o que facilitaria muito a oferta de ‘rituais de passagem’, Batismo, Primeira Comunhão, Confirmação, Casamentos e Funerais, diretamente na linguagem de sinais.

Em novembro de 2001, fui aceita pelo Bispo como ordenanda e espero ser ordenada no Pentecostes de 2002.

Em fevereiro de 2001, eu conheci algumas pessoas deficientes auditivas em busca de um lugar para se reunirem, como ‘alternativa’ ao clube de deficientes auditivos. Sendo uma igreja, nós tivemos condições de lhes oferecer nossos prédios como local para suas reuniões. Eles se ‘mudaram’ em abril e são um grupo maravilhoso com quem se reunir. Até agora, não houve muito interesse da parte deles pela igreja, mas eu espero e rezo para que, à medida que nosso relacionamento se desenvolve e sua confiança em mim se aprofunda, eu um dia venha a ter o privilégio de poder compartilhar a Boa Nova com eles.

Fatos sobre o Uruguai

O Uruguai é um estado socialista sem uma religião oficial. O ensino de Educação Religiosa não é permitido nas escolas. O Natal é chamado ‘Dia da Família’ e a Semana Santa é chamada ‘Semana do Turismo’. Cerca de 4% da população afirma ser Católica Romana e um percentual equivalente afirma ser Protestante.

Nunca houve um censo oficial para se determinar o número de uruguaios deficientes auditivos. Estima-se que 17.000 em uma população de 3,4 milhões sejam surdos.

Há escolas e clubes para deficientes auditivos na maioria das regiões. As escolas continuam sendo estritamente orais (não utilizando a linguagem de sinais) e são somente para a educação primária (até os 12 anos). Aqueles que desejarem continuar os estudos devem voltar-se para o sistema regular – seja através de leitura labial durante todas as aulas ou providenciando seus próprios intérpretes, uma opção bastante cara.

Como se pode perceber, esta é uma nova área de ministério. Nós temos idéias, planos, metas e esperanças. Mas estamos muito longe de ter um Ministério ‘oficial’ entre os deficientes auditivos.

Nós também somos ouvintes com ‘idéias’ de ouvintes.

Nós ficaremos muito felizes se você nos escrever com seu feedback, suas idéias e sugestões.