FIONA GARFIELD
 
por Stan Griffin, Colaborador Especial da Deaf Friends International    
Traduzido para o português por Patricia e Walter de Castro

Uma atriz judia inglesa surda que disse ter sido “...fantástico estar frente (às câmeras)” após ter tido “...uma porção de audições (sem sucesso)...” foi homenageada recentemente com um Prêmio de Melhor Atriz na primeira cerimônia do Oscar para Surdos, ocorrida no Hotel Internacional de Londres.

Fiona Garfield (“Fifi”, para os íntimos) é a estrela da novela de televisão “Switch”, parte do programa para surdos “See Hear” (“Veja Ouça”) da BBC2. Sua personagem é Franny, uma mulher que se separou do marido e tenta se recuperar após a morte acidental de seu único filho. “Switch” foi, também, considerado o Melhor Drama da TV.

Fiona, de 36 anos de idade, vinda de Harrow, nasceu totalmente surda. Sua mãe, Rita Koten, disse “Tenho muito orgulho dela. Ela perseverou e não deixou (sua surdez) fazê-la desistir”. Garfield esperou 14 anos como membro amador do Grupo de Drama de Surdos de Londres até atingir sua meta.

A grande chance de Fiona chegou em 2001, quando foi escolhida para atuar num comercial da Televisão Britânica, sua primeira atuação profissional. Esse comercial fazia parte da campanha da Televisão Britânica “Bringing People Together” (Aproximando as Pessoas) e foi desenvolvido sob a consultoria do Real Instituto Nacional para Surdos e da Associação Britânica de Surdos. De acordo com um porta-voz da Televisão Britânica, esse é “...um exemplo da maneira como estamos tornando a comunicação ‘não-falada’ fácil e agradável...”

O comercial de 40 segundos foi gravado em um “local normal de trabalho” e tinha duas personagens: uma secretária surda chamada Hannah (Fiona), que está usando um videofone do escritório em seu primeiro dia no novo emprego – ou, mais exatamente, “abusando”, porque Hannah está fofocando com uma amiga em casa em vez de trabalhar. A mulher no outro lado da linha é uma atriz chamada Rachel Taggart, uma atriz ouvinte que conhece a linguagem de sinais. A conversa delas é o típico “papo furado”, com a única exceção de que as palavras não são audíveis; ambas estão usando a linguagem de sinais.

Há muitos anos, Fiona vem trabalhando como gerente de produção da “Remark”, uma empresa de multimídia totalmente para surdos localizada em Greenwich, no sul de Londres. Nesse emprego, ela passou a  maior parte de seu tempo atrás das câmeras. A “Remark” lida com “todos os aspectos de filmes, televisão e produção de vídeos, assim como Internet”. Eles também fazem traduções de publicações para a Linguagem de Sinais em Inglês Britânico e organizam treinamentos para a Conscientização sobre Deficiência Auditiva, entre outros projetos.

Fiona acredita que os surdos precisam se sentir mais confiantes ao usar a tecnologia de hoje. Ela sente que mais desses programas de “Conscientização sobre Deficiência Auditiva” no local de trabalho poderiam “ajudar os profissionais que podem ouvir a agir mais pacientemente”.