DRª HELEN TAUSSIG: "ELE AGORA TEM UMA COR
ADORÁVEL!"
por Stan Griffin, Colaborador Especial de Deaf Friends International
Traduzido para Português por Angela Maria Simões Farias
Por causa de seu trabalho com cardiologia pediátrica e sua pesquisa
inovadora sobre a síndrome do"bebê azul", Drª Helen Brooke Taussig
foi peça
importante nos "primeiros passos para o desenvolvimento da cirurgia de
coração aberto na década de 50." Ela também ajudou a evitar uma crise
nos
Estados Unidos quando testemunhou sobre os efeitos terríveis da droga
thalidomida usada em mulheres grávidas européias na década de 60.
Dr. Taussig recebeu muitas honrarias e prêmios ao longo de sua carreira médica. Alguns deles foram: French Chevalier d'Honneur (Cavaleiro de Honra
Francês), Italian Feltrinelli Prize (Prêmio Feltrinelli Italiano),
Peruvian
Presidential Medal of Honor (Medalha Presidencial Peruana de Honra), Albert
Lasker Award for outstanding contributions to medicine (Prêmio Albert Lasker
para extraordinárias contribuições à medicina), Prêmio Elizabeth Blackwell
(dadas a mulheres cujas vidas exemplificam um excepcional serviço para a
humanidade), e a United States Medal of Freedom (Medalha de Liberdade dos
Estados Unidos) (concedida pelo Presidente Lyndon B. Johnson em 1964).
Além disso, Drª Taussig foi uma das primeiras mulheres a conseguir uma bolsa
de professor titular no Johns Hopkins, a primeira mulher a receber a mais
alta honraria da Escola Johns Hopkins de Medicina, e a primeira mulher a se
tornar presidente da Associação Americana do Coração.
Suas realizações se tornam mais impressionantes se você considerar que por
volta de 1927, quando ela se graduou no Johns Hopkins, havia perdido a maior
parte de sua audição. Ela começou a perder a audição depois de uma
ocorrênica infantil de coqueluche.
Apesar deste problema a Drª Taussig decidiu começar a
exercer a profissão, e
escolheu cardiologia pediátrica como sua especialidade. Ela aprendeu a ler
os lábios e "ouvir com seus dedos" os corações dos pacientes.
Imagina-se que
algumas de suas técnicas inovadoras foram atribuídas à sua capacidade de
distinguir ritmos cardíacos de corações normais dos defeituosos, fazendo
mais uso do TOQUE do que propriamente do som. "Esta sensibilidade,
combinada
com um forte poder de observação, acabaram por leva-la a uma das mais
importantes descobertas em tratamento cardíaco no século vinte..."
Taussig
passou os dois anos de residência médica trabalhando na Clínica de Corações
Infantis do Hospital Johns Hopkins (O Lar de Helen Lane). Em 1930 ela foi
designada médica encarregada da Clínica e permaneceu neste cargo até a sua
aposentadoria. Drª Taussig começou a estudar as manifestações cardíacas de
doenças e logo veio a se interessar por problemas cardíacos congênitos. Ela
classificou e descreveu muitas disfunções cardíacas responsáveis pela
incidência de "bebês azuis", crianças cuja cor ao nascer indicavam
baixa
oxigenação do sangue.
Finalmente ela percebeu que o problema fisiológico mais importante está na
ausência de fluxo sangüíneo para os pulmões. O Dr. Alfred Blalock veio para o Johns Hopkins em 1941. Taussig sugeriu a
ele que a construção de um "ducto aberto" (tubo aberto)
poderia apresentar
uma solução para a anóxia (deficiência de oxigênio no sangue) de crianças
com "Tetralogia de Fallot" (ou "síndrome do bebê azul"),
uma vez que o
declive acentuado foi causado por uma deficiência cardíaca congênita que
privou o sangue da quantidade necessária de oxigênio.
Os dois juntamente com Vivien Thomas (técnico cirúrgico),
desenvolveram uma
idéia sobre uma operação para ajudar crianças nessas condições. Após
muito
trabalho e experiências em laboratório, o "procedimento de Blalock-Taussig"
ficou pronto para teste. Ele foi realizado pela primeira em 9 de novembro de
1944 em um paciente de alto risco, muito doente, portador de anoxemia (declínio anormal do conteúdo de oxigênio no sangue) que já estava
extremamente azulado, se alimentando com muita dificulde, ofegando e
buscando ar.
Ao término da cirurgia, o estado do paciente melhorou. Infelizmente, ele
faleceu alguns meses mais tarde após uma segunda cirurgia. Duas cirurgias
adicionais e as mudanças físicas resultantes provocados pelo procedimento,
demonstraram ser um caminho viável para salvar vidas -e nos anos seguintes,
ajudou dezenas de milhares de crianças. Taussig e Blalock publicaram um
trabalho conjunto no "Jornal da Associação Médica Americana"
descrevendo os
resultados de sua pesquisa. Isto provocou um impacto mundial imediato. Ambos
os médicos fizeram muitas apresentações e demonstrações de casos clínicos
nos Estados Unidos e também na Europa. Seu sucesso atraiu muitos pacientes
para o Johns Hopkins e trouxe também médicos do mundo inteiro para aprender
as técnicas do procedimento. Drª Taussig continuou sua pesquisa sobre
defeitos cardíacos congênitos, e publicou em 1947 um trabalho importante,
"Má-Formações Congênitas do Coração". Em 1959 ela foi indicada
para o cargo
de professora de pediatria, e se aposentou do Johns Hopkins em 1963.
No final dos anos 70, Drª Taussig mudou-se para a Pennsylvania. Ela morreu
em um acidente automobilístico na Kennett Square em 21 de maio de 1986, três
dias antes do seu aniversário de 88 anos.
O nome da Drª Taussig consta no "Centro de Cardiologia Pediátrica das
Crianças de Helen B.Taussig" em memória da mulher que solucionou o mistério
dos "bebês azuis."